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Editorial
Por Eduardo Viotti |
O trágico abalo no Chile traz perdas também aos viticultores
Edição de aniversário, mas com uma notinha de preocupação. Pelo Chile, avassalado por um terremoto de dimensões trágicas. Felizmente, parece que entre os amigos e os vinicultores não há baixas, nem grandes traumas. Há perdas de vinho, de edifícios históricos, de pilhas de garrafas. Outra pontinha amarga, muito menos trágica, mas também chata, é a má colheita de uvas viníferas para tintos na região da Serra Gaúcha. Algumas casas nem mesmo farão tintos de alta gama. Como em Bordeaux, isso pode resultar em vantagem para a qualidade dos “segundos rótulos”, que recebem eventualmente as uvas que em situação de normalidade iriam para os top.
Esta safra foi má apenas para as tintas mais tardias. Os espumantes, especialidade gaúcha capaz de figurar entre os grandes vinhos do mundo, ingressam na década de 10 preservados em nível de qualidade e em volume produzido. Nesta edição, apesar de tudo, há muito o que comemorar. Primeiro a surpresa do elevado nível das três degustações: os tintos argentinos, os Verdes portugueses e os Merlot varietais brasileiros. Os argentinos finalmente chegaram lá: grandes vinhos, com notas importantes e difíceis de conquistar. Os Merlot brasileiros também confirmaram a voz corrente de que esta variedade vinífera, a mais plantada em sua terra natal, Bordeaux, adaptou-se melhor que as demais à Serra Gaúcha. Os Vinhos Verdes, agora internacionalizados, despontam como capazes de figurar entre os grandes
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