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NOVAS SAFRAS!
por Eduardo Viotti
fotos: Divulgação
Superdegustação traz a avaliação e notas de 117 vinhos nacionais e diferentes regiões produtoras das safras de 2005 e 2006, as últimas a chegar às lojas. O resultado espelha a evolução do produto nacional, com número recorde de estrelas outorgadas pelos jurados e o estabelecimento de um novo patamar de qualidade para o vinho brasileiro
As vindimas na Serra Gaúcha, região naturalmente bastante susceptível às variações entre colheitas, têm sido generosas. Uma combinação de fenômenos climáticos, principalmente os El Niño (fase quente)/El Niña (fase fria), que alteram as temperaturas das massas de ar vindas do extremo
sul tem permitido felizes combinações entre períodos de estiagem e seca.
Com isso, as uvas puderam ser colhidas em verões mais secos e
cálidos, em condições de atingirem maiores graus de maturação fenólica. Assim, dispensam a chaptalização (aumento do grau alcoólico pela adição
de sacarose ao mosto), valorizando o açúcar natural da uva; têm mais concentração, taninos mais maduros, mais cor e melhores aromas, com
menos odores vegetais e herbáceos (falamos de vinhos tintos).
Isso aconteceu na Serra Gaúcha em 1999, 2002, 2004 e 2006, colheitas consideradas superiores, e que resultaram em vinhos cada vez melhores, de um patamar de qualidade até então inatingido na região.
Já a vindima de 2005 foi, isoladamente, ainda melhor. Sem citar números aborrecidos de médias pluviométricas e dias de insolação, o conjunto desses fatores foi superior em 2005. Há quem acredite que tal combinação jamais tenha sido alcançada na região.
Assim, não hesite em comprar e guardar bons tintos da Serra Gaúcha de 2005.
A produção de espumantes, ao contrário, parece beneficiar-se dos anos em que a média de temperatura é mais fria, e há menos insolação no verão.
As uvas concentram mais acidez, requisito desejável para o frescor típico do espumante brasileiro.
Comprovação disso é que os espumantes secos do vale do rio São Francisco, região seca e ensolarada, não têm tido muito sucesso em nossas degustações às cegas, exceção feita, é claro, aos bem doces, estilo Moscatel espumante.
De qualquer modo, os enólogos brasileiros parecem sentir-se à vontade na elaboracão do espumante da Serra Gaúcha, e um padrão de qualidade crescente vêm se mantendo.
Esta degustação não inclui espumantes, pois a edição passada trouxe a avaliação de 104 exemplares.
Quanto aos brancos, continua válida a avaliação feita pelo sommelier e restaurateur italiano Dânio Braga, perante o público de uma avaliação
de safra, há alguns anos: a indústria vinícola gaúcha parece tê-los deixado em segundo plano, optando por investir mais no desenvolvimento
dos tintos. Afinal, cerca de 80% do consumo do brasileiro é de vinhos tintos.
As duas coisas, a desatenção e o baixo consumo são uma pena...
Há exceções, como os grandes brancos da Villa Francioni, o Salton Volpi Chardonnay e o Pinot Grigio Fortaleza do Seival, excelentes.
Veja a degustação de 117 vinhos brasileiros em Vinho Magazine 71
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